Médias das escolas e comparações

Todos os anos, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão ligado ao Ministério da Educação (MEC), divulga as médias das escolas brasileiras no Enem do ano anterior. Essa divulgação contempla tanto a média geral de cada escola, resultado da soma das notas de todas as áreas e redação, dividas por 5 (4 áreas do conhecimento + redação), quanto as médias em cada área do conhecimento e da redação.

 

A limitação no uso da média geral é que ela só permite uma comparação muito superficial entre escolas. Apesar das notas de área e redação estarem em uma escala que varia de 0 a 1000, ainda não houve equalização quanto à proficiência. Ou seja, 530 pontos em Linguagens e Códigos não representa o mesmo que 530 pontos em Ciência da Natureza, quanto ao nível de domínio das habilidades de cada área. O uso de média geral contraria inclusive orientações do Inep quanto ao uso das notas do exame. A análise dos resultados da escola realizada separadamente para cada área do conhecimento e redação é o mais adequado, pois cada uma tem sua própria escala de nota no Enem.

 

Comparações

Comparar-se a outras escolas somente com a média geral é prejudicial para a própria instituição. Como essa média é o resultado da soma das notas de todas as áreas dividas pelo total de áreas avaliadas, ela não permite à escola identificar quais são as áreas onde foi melhor ou pior. Por exemplo, uma escola pode ter ido bem em Matemática, mas não tão bem em Linguagens e Códigos. Caso nesse ano a pontuação máxima de Matemática na escala tenha sido maior do que Linguagens e Códigos, a média geral dessa escola pode se elevar, mas isso não indica que houve aumento no domínio das competências e habilidades de outras áreas.

 

Outro fator a considerar é que pesquisas com avaliações em larga escala indicam que a nota de uma escola é influenciada por fatores que não estão distribuídos de forma equitativa entre as escolas: infraestrutura, formação dos professores, perfil do aluno, número de alunos por turma etc. Dentre esses pontos, destaca-se o nível socioeconômico: escolaridade dos pais, acesso a meios culturais, expectativa de aprendizado etc. Uma pesquisa de doutorado comprovou que até 75% da nota de um aluno pode estar relacionado ao nível socioeconômico. Trabalhar com a nota do Enem para definir as melhores escolas demandaria a ponderação de inúmeros fatores, o que ainda não é possível.

 

Compare escolas com as suas semelhantes

Se desejar comparar os dados com alguma outra escola, tente procurar escolas semelhantes, com números assemelhados de alunos e localizadas em regiões geográficas socioeconomicamente similares. Olhe também a taxa de participação das escolas. O ideal é comparar somente se ambas tiverem uma taxa de participação acima de 75%.

 

Compare as notas ao longo dos anos

Um dos aspectos mais relevantes da Teoria de Resposta ao Item e colocar o resultado nas avaliações em uma escala comparável. Dessa forma, desde 2009 os resultados para cada uma das áreas é comparável ao longo dos anos. Para avaliar a evolução entre áreas, basta calcular a porcentagem de variação para cada área e compará-las.