Teoria da Resposta ao Item (TRI)

O cálculo da nota do Enem é baseado na Teoria de Resposta ao Item (TRI) que considera a coerência das respostas corretas do participante e não seu número de acertos. Cada questão da prova é um item. A TRI é um conjunto de modelos estatísticos que qualifica o item levando em consideração três parâmetros:

 

1- Dificuldade

Associado à dificuldade da habilidade avaliada no item, quanto maior seu valor, mais difícil é a questão. Em uma prova de qualidade, deve-se ter questões de diferentes níveis de dificuldade para avaliar adequadamente os participantes em todos os níveis de conhecimento;

 

O grau de dificuldade de uma questão é definido em um pré-teste: questões, elaboradas por especialistas são testadas por alunos do ensino médio em todo o país sem que os participantes saibam que estão respondendo questões que podem ser usadas no Enem, preservando o anonimato dos itens. A partir das respostas, cada questão tem seu grau de dificuldade apurado. Após isso, as questões são posicionadas na escala, que funciona como uma régua.

 

O posicionamento dos itens em uma escola garante que que somente participantes com proficiência igual ou maior que aquele nível possuem alta probabilidade de responder corretamente às questões que estão nesse nível ou em níveis abaixo. Nesta mesma escala são posicionados os participantes. Isso quer dizer que a nota de um participante não depende das notas dos demais, mas apenas do posicionamento das questões na régua.

 

É preciso salientar que acertar uma questão casualmente não diminui a nota do participante, porém o valor do item é diminuído no cálculo da nota do participante, já que não houve uma coerência pedagógica esperada.

 

2- Acerto casual

Em provas de múltipla escola, um participante que não domina a habilidade em uma determinada questão da prova pode responder corretamente a esse item por acerto casual. Esse parâmetro, portanto, representa a probabildiade de um participante acertar a questão não dominando a habilidade exigida.

 

O aluno que erra questões fáceis e acerta outras difíceis pode ter sua nota reduzida pelo sistema, pois a TRI entenderá o acerto das questões difíceis como “chute”. Já o aluno que acerta todas as questões fáceis e poucas difíceis pode ter sua nota valorizada pela coerência. Por isso, o número de acertos não tem correspondência direta com a pontuação final. Isso acontece porque o Ministério da Educação (MEC) entende que a aquisição do conhecimento ocorre de forma cumulativa, logo, para que um aluno domine habilidades mais difíceis ele deve já dominar habilidades mais fáceis.

 

Se um participante A e um participante B acertaram o mesmo número de questões, porém o indivíduo A acertou as questões mais fáceis e errou as difíceis e o indivíduo B acertou as questões mais difíceis, mas errou as consideradas mais fáceis, a nota do primeiro poderá ser mais alta, em virtude do parâmetro de acerto casual.

 

3- Discriminação

É o poder de discriminação que cada questão possui para diferenciar os participantes que dominam dos participantes que não dominam a habilidade avaliada naquela questão (item).

 

Comparações

Não é possível comparar o número de acertos nas provas de diferentes áreas do conhecimento. Se um aluno acerta a mesma quantidade de itens nas provas de matemática e ciências humanas, por exemplo, não significa que a pontuação obtida será igual. Isso porque o nível de dificuldade de cada prova e dos diferentes itens que a compõem afetam esse cálculo final.


A TRI permite calibrar as provas para que tenham um grau de dificuldade adequado às necessidades do exame. E como as provas medem o conhecimento dos alunos sempre dentro da mesma escala para cada área de conhecimento, sua grande vantagem é possibilitar a comparação de dados através dos anos. Isso permite além de acompanhar a evolução dos alunos que um candidato faça uma ou duas provas e use o resultado de qualquer uma nos sistemas de seleção do ensino superior.